História

Imagem Sacra de São Pantaleão

Patrimônio de Fé e Cultura

   Pantaleão nasceu em 275 d.C., na cidade de Nicomédia, localizada onde hoje se encontra a cidade de Ismide, na Turquia. Desde cedo aprendeu os valores da fé cristã com sua mãe, Eubula. Seu pai, Eustáquio, era pagão, e após a morte da mãe incentivou os estudos de Pantaleão na filosofia e na medicina, em troca da participação ativa do filho no culto da idolatria. No entanto, a educação que a sua mãe proporcionara manteve Pantaleão livre da corrupção da época.

   Além disso, a inteligência e a força de vontade de Pantaleão o destacavam dos companheiros de estudo, levando os seus mestres a recomendarem os serviços de Pantaleão ao Imperador Maximiano. Naquela época, o Império Romano promovia uma grande perseguição contra a Igreja de Cristo. Foi nesse contexto que Pantaleão conheceu o sacerdote cristão Hermolão, para quem Pantaleão falou das virtudes e crenças da mãe, mas também da necessidade de seguir a religião do governo, tendo em vista que aspirava ser nomeado médico assistente do Imperador. Hermolão então lhe contou sobre a vida de Cristo e as curas que fazia apenas com a palavra. Apesar de sua admiração, Pantaleão optou por não seguir os ensinamentos de Jesus.

   Contudo, em certa ocasião Pantaleão encontrou à beira da estrada uma criança morta por uma víbora, ainda próxima ao cadáver. Lembrou-se das palavras de Hermolão e disse para si mesmo: “Se é verdade o que Hermolão me disse de Cristo, há de ser demonstrado agora. Ó Deus dos cristãos, se és verdadeiramente o Senhor da vida e da morte, mata esta cobra e dá vida a esta criança”. A criança logo levantou-se e a víbora imediatamente morreu. Em vista deste milagre, Pantaleão apresentou-se ao sacerdote e recebeu o batismo, passando a exercer a medicina gratuitamente para os pobres e realizando muitas curas milagrosas. Além disso, passou a buscar a conversão do pai, Eustáquio.

   Devido às suas muitas curas milagrosas, rapidamente Pantaleão tornou-se reconhecido e despertou a inveja dos outros médicos, que passaram a investigá-lo. Percebendo que ele dispensava especial atenção aos cristãos encarcerados, esses médicos o denunciaram à corte imperial. O Imperador Maximiano, que se agradava de Pantaleão, deu a ele a chance de se redimir, prestando culto aos deuses pagãos. Pantaleão recusou-se e propôs que trouxessem um doente em estado grave, para que os melhores médicos ou sacerdotes pagãos tentassem curá-lo. Maximiano aceitou o desafio e assim foi feito. Apresentaram um paralítico que nem médicos nem sacerdotes conseguiram curar. Apenas quando Pantaleão orou sobre o doente ele reestabeleceu-se completamente, causando a admiração de todos.

   Maximiano, descumprindo sua palavra, exigiu que Pantaleão fizesse um sacrifício aos deuses pela cura, porém, como Pantaleão recusou-se, foi torturado e decapitado, em 27 de julho do ano 305 d.C. Conta-se que tentaram matá-lo de seis formas diferentes: com fogo, com chumbo derretido, afogando-o, jogando-o às feras, torturando-o em uma roda e atravessando-lhe uma espada. Mas, em todos os casos, com a ajuda do Senhor, saiu ileso. Quando foi decapitado, a árvore onde aconteceu o martírio floresceu no mesmo instante.

   Sua história foi encontrada em um manuscrito do século IV que atualmente encontra-se no Museu Britânico. Parte de suas relíquias foram guardadas e hoje se encontram em algumas igrejas de Europa e América, inclusive no Brasil, na Igreja dedicada a São José e São Pantaleão, em São Luís do Maranhão. O sangue de São Pantaleão foi conservado durante séculos em alguns locais da Europa e, na cidade de Madri, Espanha, e Ravello, Itália, a cada dia 27 de julho se torna líquido. São Pantaleão é considerado padroeiro dos médicos, das parteiras e protetor contra as dores de cabeça. Em alguns locais, também é invocado contra o cancro e a tuberculose.


Fonte: São Pantaleão: Devocionário e Novena. Link do Livro